segunda-feira, 11 de março de 2013

Novas perspectivas terapêuticas para Doença de Alzheimer

    Conforme dados recentes da Organização Mundial de Saúde, atualmente mais de 35 milhões de pessoas no mundo apresentam demência, número cujo crescimento previsto atingirá a marca de 115 milhões de pessoas em 2050,  representando triplicação do número de pacientes, em relação à estatística de 2012.  A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, cujo tratamento atual é baseado em única  via de ação que corresponde ao retardo de evolução da doença e não de prevenção da progressão dos sintomas,  já que até o momento, infelizmente, esta entidade é incurável.
     Este cenário é favorável à eclosão  de inúmeras pesquisas que busquem  novas possibilidades terapêuticas, inclusive com drogas já existentes para o tratamento de diferentes doenças.  Como exemplo, a publicação recente de um artigo (na revista " Biological Psychiatry" - março de 2013) de pesquisadores da Universidade de Washington, liderados pelo Dr. Brain Kraemer, referente ao uso de um pequeno verme transparente (C. elegans) para potenciais novos tratamentos.
    O foco da pesquisa foi na "tau" uma proteína envolvida na manutenção da estrutura celular cerebral.  Na Doença de Alzheimer há anormalidades nesta proteína (por isso fala-se em tauopatia para D. Alzheimer)  que passa a formar agregados representativos de "danos" nos neurônios (morte celular).  Dr. Kraemer desenvolveu em vermes ( C. elegans)  de laboratório  um modelo de tauopatia, pela expressão da proteína tau humana em células nervosas deste parasita. Este modelo apresenta anormalidades comportamentais, acúmulo de proteína tau alterada e perda de neurônios, características da D. de Alzheimer.
    A partir desse modelo de estudo, o grupo de pesquisadores encontrou na literatura cerca de 1.120  drogas aprovadas para uso em humanos e testadas cada uma em diferentes 3 concentrações objetivando identificar compostos que suprimem os efeitos da agregação anormal da tau. Foram encontrados 6 compostos capazes de aliviar as anormalidades  comportamentais das alterações da tau. Em modelo de cultura de célula humana o tratamento com a droga "azaperone" promove a redução da quantidade de proteína tau alterada.
     A Azaperone é uma droga antipsicotica, que se liga a certos receptores dopamina nas células nervosas.  Foi demonstrado que a remoção destes receptores, tanto em células de humanos quanto de C. elegans, apresenta o mesmo efeito que tal medicação, indicando que esta droga e outras drogas correlatas  devem alterar o acumulo de tau anormal. 
   Testes destes compostos "anti-tau" estão sendo realizados em ratos modelos de Doença de Alzheimer, permitindo-se assim que num futuro breve desfrutemos de novas possibilidades de tratamento, seja pela descoberta de novas drogas especificas para a fisiopatologia desta doença, ou seja pela redescoberta de novos mecanismos de ação para medicações já conhecidas para tratar outras morbidades pela atual medicina. 

Um comentário:

  1. Interessante Matéria dra. Juliana. Abraços Mariana Binda Anacleto Morais Psicóloga Clínica em SBCampo, com a Oficina Memória Viva (grupo de Idosos).

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