quarta-feira, 30 de julho de 2014

Idoso: 60 segundos de esforço e mais saúde


     
        A saúde de pessoas idosas pode ser dramaticamente melhorada com treino de exercícios de alta intensidade, conforme novo estudo publicado no Jornal da Sociedade Americana de Geriatria.  Trata-se de um grupo de cientistas da Universidade de Abertay (EUA), especialista em exercícios físicos em pessoas idosas.  Foram avaliados idosos pensionistas, submetidos a um programa de exercícios de alta intensidade (EAI) (de 60 segundos, 2x por semana) durante 6 semanas, que demonstrou melhora física, da capacidade de desempenho das atividades de vida diária dos idosos (como por exemplo carregar compras, se levantar de uma cadeira) e do controle da pressão arterial que é um importante fator de risco para doença cardiovascular.

        Estas descobertas têm importantes implicações já que com o envelhecimento há enfraquecimento muscular  o que acarreta impacto muito negativo na saúde global das pessoas idosas. Apesar do conhecimento acerca dos benefícios dos exercícios físicos regulares no bem-estar e na saúde, a maioria dos idosos têm dificuldade em estabelecer uma rotina de exercícios. Daí a importância deste estudo: a comprovação de que o referido treino de alta-intensidade é uma alternativa aceitável que pode fazer grande diferença na saúde e qualidade de vida das pessoas, ou seja, uma nova  e simples receita de grande impacto positivo no bem-estar dos gerontes. São oito anos de evidência científica de que os EAI são positivos no combate à obesidade, diabetes e cardiopatias.


        Cada programa de treino consistiu-se de "tiro" de exercício de  6 segundos ("sprint") em bicicleta ergométrica, sendo os participantes controlados rigorosamente por monitor cardíaco, sendo o número de "tiros" de cada sessão aumento progressivamente de 6 x 6 até 10 x 6 sprints/segundo. Tempo de recuperação mínimo de 1 minuto entre cada sprint, sendo permitido aos participantes iniciar novo sprint apenas após recuperação cardíaca com frequência abaixo de 120 batimentos por minutos (o esforço máximo é que melhora a saúde).


     Para os sedentários de plantão esta é uma possibilidade interessante e prática de melhorar a saúde e envelhecer bem, sem grandes sacrifícios. No entanto é importante ressaltar que para qualquer tipo de exercício, é importante consultar um médico antes de iniciar as atividades.

     

segunda-feira, 11 de março de 2013

Novas perspectivas terapêuticas para Doença de Alzheimer

    Conforme dados recentes da Organização Mundial de Saúde, atualmente mais de 35 milhões de pessoas no mundo apresentam demência, número cujo crescimento previsto atingirá a marca de 115 milhões de pessoas em 2050,  representando triplicação do número de pacientes, em relação à estatística de 2012.  A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, cujo tratamento atual é baseado em única  via de ação que corresponde ao retardo de evolução da doença e não de prevenção da progressão dos sintomas,  já que até o momento, infelizmente, esta entidade é incurável.
     Este cenário é favorável à eclosão  de inúmeras pesquisas que busquem  novas possibilidades terapêuticas, inclusive com drogas já existentes para o tratamento de diferentes doenças.  Como exemplo, a publicação recente de um artigo (na revista " Biological Psychiatry" - março de 2013) de pesquisadores da Universidade de Washington, liderados pelo Dr. Brain Kraemer, referente ao uso de um pequeno verme transparente (C. elegans) para potenciais novos tratamentos.
    O foco da pesquisa foi na "tau" uma proteína envolvida na manutenção da estrutura celular cerebral.  Na Doença de Alzheimer há anormalidades nesta proteína (por isso fala-se em tauopatia para D. Alzheimer)  que passa a formar agregados representativos de "danos" nos neurônios (morte celular).  Dr. Kraemer desenvolveu em vermes ( C. elegans)  de laboratório  um modelo de tauopatia, pela expressão da proteína tau humana em células nervosas deste parasita. Este modelo apresenta anormalidades comportamentais, acúmulo de proteína tau alterada e perda de neurônios, características da D. de Alzheimer.
    A partir desse modelo de estudo, o grupo de pesquisadores encontrou na literatura cerca de 1.120  drogas aprovadas para uso em humanos e testadas cada uma em diferentes 3 concentrações objetivando identificar compostos que suprimem os efeitos da agregação anormal da tau. Foram encontrados 6 compostos capazes de aliviar as anormalidades  comportamentais das alterações da tau. Em modelo de cultura de célula humana o tratamento com a droga "azaperone" promove a redução da quantidade de proteína tau alterada.
     A Azaperone é uma droga antipsicotica, que se liga a certos receptores dopamina nas células nervosas.  Foi demonstrado que a remoção destes receptores, tanto em células de humanos quanto de C. elegans, apresenta o mesmo efeito que tal medicação, indicando que esta droga e outras drogas correlatas  devem alterar o acumulo de tau anormal. 
   Testes destes compostos "anti-tau" estão sendo realizados em ratos modelos de Doença de Alzheimer, permitindo-se assim que num futuro breve desfrutemos de novas possibilidades de tratamento, seja pela descoberta de novas drogas especificas para a fisiopatologia desta doença, ou seja pela redescoberta de novos mecanismos de ação para medicações já conhecidas para tratar outras morbidades pela atual medicina. 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Panacéia das Terapias Anti-Envelhecimento

        A obsessão pela juventude e beleza tem impulsionado o ser humano a busca de tratamentos "fantásticos" desde os primórdios da civilização. A busca incessante por fórmulas anti-envelhecimento tem exposto os pacientes a substâncias cuja segurança para uso em longo prazo inexiste (inclusive com aumento de risco de alguns cânceres) e eficácia ainda não foi comprovada em ensaios clínicos de relevância no meio científico. 
         A medicina antienvelhecimento não é reconhecida como especialidade médica no Brasil, nem nos EUA, Canadá ou União Européia. A prática de prescrição de quaisquer substâncias, seja elas hormônios, antioxidantes, vitaminas, procaína para reverter ou prevenir o envelhecimento é vetada  pelo Conselho Federal de Medicina (conforme Resolução 1.938/2010), por reconhecer os riscos para a saúde, inerentes ao uso de tais substâncias. 
        Diversos hormônios diminuem com a idade,  mas não há comprovação de que isso cause o envelhecimento. Talvez seja apenas a consequência. Pesquisas científicas comprovaram que a reposição de hormônios pode modificar algumas alterações do processo de envelhecimento, mas é incapaz de revertê-las.  O hormônio de crescimento (GH) é um exemplo: pode promover um bem-estar inicial, mas os efeitos de longo prazo são ruins (dores articulares, inchaços, aumento de órgãos, síndrome do Túnel do Carpo e até precipitação de diabetes em indivíduos predispostos), aumento de massa muscular (porém sem implemento da função muscular). Já a reposição de hormônio feminino na menopausa está indicada apenas para tratamento dos sintomas do climatério, e em raros casos, para tratar osteoporose, desde que por curto período de tempo e com controle para câncer de mama e endométrio e para doenças cardiovasculares e problemas de "trombose". A reposição hormonal masculina (testosterona) é recomendada apenas se a deficiência for comprovada com a dosagem hormonal e a presença de sintomas que possam ser revertidos com a reposição, devido possibilidade de aumento do risco de câncer de próstata, de piora apnéia do sono, aumento dos glóbulos vermelhos do sangue e maior chance de eventos cardiovasculares. Já o DHEA é um hormônio produzido pelas glândulas adrenais e é precursor de outros hormônios. Existem indicações muito restritas na insuficiência dessas glândulas ou da glândula hipófise. Não retarda o envelhecimento e pode ter efeitos adversos, apesar de ser vendido como suplemento alimentar nos EUA. No Brasil, sua venda ainda não é autorizada pela ANVISA. 
          Portanto, alerta deve ser feito à população em relação ao uso indiscriminado desses hormônios. O envelhecimento é uma grande conquista da civilização moderna, da evolução das sociedades. Não um inimigo.  Esforços devem ser direcionados à melhora da capacidade funcional para que o envelhecimento seja saudável. E isto, graças ao investimento em alimentação saudável, exercícios, combate a vícios (como tabaco e álcool), prevenção e controle de doenças, prevenção de acidentes e quedas, uso parcimonioso e com indicação médica de medicamentos, manter a mente ativa, estreitar laços familiares e sociais.  
         

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Fadiga no Idoso


O envelhecimento populacional é um dos maiores triunfos da humanidade e também um dos nossos maiores desafios. Mundialmente, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais está crescendo e continuará a crescer mais rapidamente do que qualquer outro grupo etário devido ao declínio da fecundidade e aumento da longevidade.
Num cenário geriátrico de demandas diferenciadas de suporte clínico, em virtude das manifestações atípicas de algumas doenças e particularidades terapêuticas, insere-se um problema comum e muitas vezes pouco valorizado no atendimento ao paciente idoso: a Fadiga.
A Fadiga é um sintoma incapacitante e de difícil definição. Corresponde à uma sensação subjetiva de cansaço persistente e generalizado, de exaustão , também podendo ser expressa como “perda de energia” ou “fraqueza”.
Representa uma queixa primária do paciente ou secundária a alguma doença subjacente. Por isso é importante ressaltar que morbidades como a depressão, anemia, osteoartrite, fibromialgia e câncer, assim como o uso de algumas medicações, as alterações de sono, alguns tipos de clima e dor podem estar relacionados a este diagnóstico.
A busca ativa por esta queixa no consultório geriátrico e a valorização do sintoma são fundamentais, devido o grande impacto negativo que a Fadiga representa na vida do idoso, já que é um sintoma incapacitante que interfere no funcionamento físico do paciente (ou seja, pode provocar incapacidade funcional), nas atividades sociais e qualidade de vida global, podendo inclusive comprometer a saúde mental.
A abordagem adequada da Fadiga no idoso viabiliza a manutenção do desempenho individual e familiar, da inserção em atividades educativas, da auto-estima e qualidade de vida do paciente, esta última, objetivo central da atuação da Medicina Geriátrica.

sábado, 17 de julho de 2010

Alerta para "Depressão pós-AVC"



A depressão pós-AVC ("Acidente Vascular Cerebral" ou "Derrame") possui uma prevalência elevada, de 23 a 60%. Apesar disso, ela é pouco detectada e tratada. Achei importante postar sobre o assunto, dado a relevância dele na qualidade de vida dos pacientes. E isto porque a depressão está associada a um pior prognóstico (com aumento do tempo de internação hospitalar e prejuízo na reabilitação) e evolução, ao agravo das disfunções cognitivas.
O AVC pode provocar nos indivíduos acometidos não apenas sequelas motoras (como paralisia de um lado do corpo, dificuldade de andar ou falar ...), mas também prejuízos cognitivos (problemas na memória, capacidade de cálculo, abstração, na linguagem, ...) e psiquiátricos. Destes últimos, a depressão é a mais frequente e nem sempre reconhecida pela equipe de saúde e pelos familiares que acompanham o paciente. Ela também causa maior mortalidade, maior prejuízo no funcionamento físico e da linguagem, promovendo impacto negativo na qualidade de vida do paciente.
A origem da depressão pós-AVC é multifatorial e tem sido associada a vários fatores de risco, tais como: sexo feminino, idade mais jovem (devemos lembrar que, embora a maioria dos AVCs aconteçam com pacientes acima de 65 anos, também ocorrem em pessoas mais jovens), rede social precária, história de transtorno depressivo e de acidentes vasculares cerebrais prévios.
O reconhecimento do problema e tratamento clínico adequado melhoram o funcionamento cognitivo e facilitam reabilitação do paciente, inclusive diminuindo o tempo de permanência hospitalar.
Esta postagem funciona como um alerta aos familiares e cuidadores de pacientes com AVC: a presença de fadiga, diminuição da capacidade de concentração, insônia, diminuição do apetite, sentimento de inutilidade e desesperança podem sinalizar depressão. Reconhecer e tratar são fundamentais para melhorar a vida do paciente e facilitar sua recuperação, sua motivação para participar ativamente da reabilitação.
Portanto, lembre-se: AVC não é sinônimo de depressão!!!!! A Depressão é uma comorbidade possível em pacientes sequelados de AVC, tem tratamento, que adequadamente realizado, melhora muito a qualidade de vida dos pacientes e familiares.

sábado, 10 de julho de 2010

Segredos genéticos da vida longa



Por que somente algumas pessoas vivem mais de cem anos? Motivos econômicos e sociais à parte, o segredo pode estar no genoma. Cientistas acabam de descobrir uma série de assinaturas genéticas particularmente comuns em indivíduos centenários e não no restante da população.
A descoberta levanta a possibilidade de que, no futuro, as pessoas poderão saber se têm ou não o potencial de viver ainda por muitas décadas – sem levar em conta, naturalmente, o histórico familiar, fatores ambientais ou de estilo de vida, por exemplo.
A pesquisa, cujos resultados foram publicados na edição desta sexta-feira (2/7) da revistaScience, também é importante para aumentar o conhecimento a respeito de como o ser humano envelhece.
Partindo da tese de que determinados genes podem estar envolvidos no processo de viver até idades mais avançadas, Paola Sebastiani, da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, e colegas vasculharam os genomas de 1.055 homens e mulheres com mais de cem anos (cujos dados foram obtidos na pesquisa e em outras anteriores) e de 1.267 indivíduos mais jovens (grupo de controle).
O grupo identificou um número de marcadores genéticos que são especialmente diferentes entre centenários e indivíduos mais jovens. Os cientistas em seguida desenvolveram um modelo para calcular a probabilidade de uma pessoa atingir maior longevidade, com base em 150 polimorfismos de nucleotídeo único (marcadores genéticos) identificados pelo estudo.
O resultado foi notável. Com a ajuda do modelo, os cientistas foram capazes de estimar com 77% de exatidão se um determinado indivíduo ultrapassou ou não os cem anos. Mas os autores destacam que o modelo ainda está longe de ser perfeito.
O método poderá ser aplicado não apenas para avaliar a probabilidade de se tornar centenário, mas também no estudo de doenças relacionadas ao envelhecimento. “A metodologia que desenvolvemos pode ser aplicada a outros mecanismos genéticos complexos, incluindo doenças como Alzheimer, Parkinson, cardiovasculares e diabetes”, disse Paola.
O estudo observou que 45% dos mais velhos entre os participantes – aqueles com mais de 110 anos – tinham assinaturas genéticas com as maiores proporções de variantes associadas à longevidade entre as identificadas pelos cientistas.
Os pesquisadores dividiram as predições genéticas em 19 grupos característicos (ou assinaturas) que se correlacionam com diferentes expectativas de vida além dos 100 anos e com padrões diversos de problemas relacionados à idade, como demência, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Segundo os autores, pesquisas futuras dessas assinaturas genéticas poderão revelar padrões hoje desconhecidos a respeito do envelhecimento humano. Também poderão ser úteis para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e tratamento específicas para cada indivíduo.
O artigo Genetic Signatures of Exceptional Longevity in Humans (10.1126/science.1190532), de Paola Sebastiani e outros, pode ser lido por assinantes da Science emwww.sciencemag.org.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Vacinas: mais proteção para os idosos




Os adultos e os idosos devem continuar recebendo doses de vacinas para garantir a proteção contra várias doenças.
- Vacinas essenciais -
* Dupla tipo adulto (difteria e tétano) -Protege o organismo contra a difteria e o tétano, que acometem com freqüência os idosos, devido maior freqüência de ferimentos domésticos e porque a maioria das pessoas que hoje têm mais de 60 anos não foi, na adolescência e na infância, alvo de campanhas de vacinação. É preciso tomar a vacina a cada dez anos. O adulto que nunca tomou a vacina ou não se lembra de seu antecedente vacinal deve receber três doses, com intervalo mínimo de 30 dias entre cada uma. Depois, é preciso tomar uma dose de reforço a cada dez anos. Se a pessoa se ferir e só tiver tomado uma dose ou não se lembrar de quantas tomou, precisará tomar as três doses, além do soro antitetânico.
* Influenza -Também é conhecida como a vacina contra a gripe. O vírus Influenza provoca a gripe que nos idosos pode evoluir com mais facilidade para uma pneumonia. É bom lembrar que a gripe é diferente do resfriado, causado por outros vírus e com sintomas mais fracos. A vacina requer uma dose a cada ano, administrada nas campanhas de vacinação do Ministério da Saúde.
* Influenza A (H1N1) -
Proteção contra doença respiratória aguda (gripe), causada especificamente pelo vírus A (H1N1).
* Contra a Pneumonia -Protege o organismo contra a pneumonia causada pela bactéria pneumococo. Em pessoas com mais de 60 anos, a doença é três vezes mais freqüente, além da mortalidade ser maior, razões pelas quais a vacina se torna importante nessa faixa etária. No sistema público de saúde, ela é destinada principalmente a idosos hospitalizados ou internados em casas geriátricas e asilos. A vacina tem uma única dose, com reforço após cinco anos.
Outras vacinas -
* Hepatite B -
A infecção pelo vírus da hepatite B nos idosos está relacionada a um risco maior de ter cirrose ou câncer de fígado no decorrer dos anos. A vacina contra a hepatite B tem indicação universal, sendo recomendadas três doses - duas com intervalo de um mês e a terceira cinco meses após a segunda dose.
* Febre amarela -Deve ser tomada por todas as pessoas que moram ou viajam para regiões de risco no País, entre as quais Mato Grosso, Pará, Goiás, Amazonas e a região oeste dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. A vacinação deve ser realizada dez dias antes da data marcada para a viagem às regiões de risco. Quem já tomou a vacina, deve se imunizar, novamente, e esperar três dias para iniciar a viagem.