terça-feira, 28 de setembro de 2010

Fadiga no Idoso


O envelhecimento populacional é um dos maiores triunfos da humanidade e também um dos nossos maiores desafios. Mundialmente, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais está crescendo e continuará a crescer mais rapidamente do que qualquer outro grupo etário devido ao declínio da fecundidade e aumento da longevidade.
Num cenário geriátrico de demandas diferenciadas de suporte clínico, em virtude das manifestações atípicas de algumas doenças e particularidades terapêuticas, insere-se um problema comum e muitas vezes pouco valorizado no atendimento ao paciente idoso: a Fadiga.
A Fadiga é um sintoma incapacitante e de difícil definição. Corresponde à uma sensação subjetiva de cansaço persistente e generalizado, de exaustão , também podendo ser expressa como “perda de energia” ou “fraqueza”.
Representa uma queixa primária do paciente ou secundária a alguma doença subjacente. Por isso é importante ressaltar que morbidades como a depressão, anemia, osteoartrite, fibromialgia e câncer, assim como o uso de algumas medicações, as alterações de sono, alguns tipos de clima e dor podem estar relacionados a este diagnóstico.
A busca ativa por esta queixa no consultório geriátrico e a valorização do sintoma são fundamentais, devido o grande impacto negativo que a Fadiga representa na vida do idoso, já que é um sintoma incapacitante que interfere no funcionamento físico do paciente (ou seja, pode provocar incapacidade funcional), nas atividades sociais e qualidade de vida global, podendo inclusive comprometer a saúde mental.
A abordagem adequada da Fadiga no idoso viabiliza a manutenção do desempenho individual e familiar, da inserção em atividades educativas, da auto-estima e qualidade de vida do paciente, esta última, objetivo central da atuação da Medicina Geriátrica.

sábado, 17 de julho de 2010

Alerta para "Depressão pós-AVC"



A depressão pós-AVC ("Acidente Vascular Cerebral" ou "Derrame") possui uma prevalência elevada, de 23 a 60%. Apesar disso, ela é pouco detectada e tratada. Achei importante postar sobre o assunto, dado a relevância dele na qualidade de vida dos pacientes. E isto porque a depressão está associada a um pior prognóstico (com aumento do tempo de internação hospitalar e prejuízo na reabilitação) e evolução, ao agravo das disfunções cognitivas.
O AVC pode provocar nos indivíduos acometidos não apenas sequelas motoras (como paralisia de um lado do corpo, dificuldade de andar ou falar ...), mas também prejuízos cognitivos (problemas na memória, capacidade de cálculo, abstração, na linguagem, ...) e psiquiátricos. Destes últimos, a depressão é a mais frequente e nem sempre reconhecida pela equipe de saúde e pelos familiares que acompanham o paciente. Ela também causa maior mortalidade, maior prejuízo no funcionamento físico e da linguagem, promovendo impacto negativo na qualidade de vida do paciente.
A origem da depressão pós-AVC é multifatorial e tem sido associada a vários fatores de risco, tais como: sexo feminino, idade mais jovem (devemos lembrar que, embora a maioria dos AVCs aconteçam com pacientes acima de 65 anos, também ocorrem em pessoas mais jovens), rede social precária, história de transtorno depressivo e de acidentes vasculares cerebrais prévios.
O reconhecimento do problema e tratamento clínico adequado melhoram o funcionamento cognitivo e facilitam reabilitação do paciente, inclusive diminuindo o tempo de permanência hospitalar.
Esta postagem funciona como um alerta aos familiares e cuidadores de pacientes com AVC: a presença de fadiga, diminuição da capacidade de concentração, insônia, diminuição do apetite, sentimento de inutilidade e desesperança podem sinalizar depressão. Reconhecer e tratar são fundamentais para melhorar a vida do paciente e facilitar sua recuperação, sua motivação para participar ativamente da reabilitação.
Portanto, lembre-se: AVC não é sinônimo de depressão!!!!! A Depressão é uma comorbidade possível em pacientes sequelados de AVC, tem tratamento, que adequadamente realizado, melhora muito a qualidade de vida dos pacientes e familiares.

sábado, 10 de julho de 2010

Segredos genéticos da vida longa



Por que somente algumas pessoas vivem mais de cem anos? Motivos econômicos e sociais à parte, o segredo pode estar no genoma. Cientistas acabam de descobrir uma série de assinaturas genéticas particularmente comuns em indivíduos centenários e não no restante da população.
A descoberta levanta a possibilidade de que, no futuro, as pessoas poderão saber se têm ou não o potencial de viver ainda por muitas décadas – sem levar em conta, naturalmente, o histórico familiar, fatores ambientais ou de estilo de vida, por exemplo.
A pesquisa, cujos resultados foram publicados na edição desta sexta-feira (2/7) da revistaScience, também é importante para aumentar o conhecimento a respeito de como o ser humano envelhece.
Partindo da tese de que determinados genes podem estar envolvidos no processo de viver até idades mais avançadas, Paola Sebastiani, da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, e colegas vasculharam os genomas de 1.055 homens e mulheres com mais de cem anos (cujos dados foram obtidos na pesquisa e em outras anteriores) e de 1.267 indivíduos mais jovens (grupo de controle).
O grupo identificou um número de marcadores genéticos que são especialmente diferentes entre centenários e indivíduos mais jovens. Os cientistas em seguida desenvolveram um modelo para calcular a probabilidade de uma pessoa atingir maior longevidade, com base em 150 polimorfismos de nucleotídeo único (marcadores genéticos) identificados pelo estudo.
O resultado foi notável. Com a ajuda do modelo, os cientistas foram capazes de estimar com 77% de exatidão se um determinado indivíduo ultrapassou ou não os cem anos. Mas os autores destacam que o modelo ainda está longe de ser perfeito.
O método poderá ser aplicado não apenas para avaliar a probabilidade de se tornar centenário, mas também no estudo de doenças relacionadas ao envelhecimento. “A metodologia que desenvolvemos pode ser aplicada a outros mecanismos genéticos complexos, incluindo doenças como Alzheimer, Parkinson, cardiovasculares e diabetes”, disse Paola.
O estudo observou que 45% dos mais velhos entre os participantes – aqueles com mais de 110 anos – tinham assinaturas genéticas com as maiores proporções de variantes associadas à longevidade entre as identificadas pelos cientistas.
Os pesquisadores dividiram as predições genéticas em 19 grupos característicos (ou assinaturas) que se correlacionam com diferentes expectativas de vida além dos 100 anos e com padrões diversos de problemas relacionados à idade, como demência, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Segundo os autores, pesquisas futuras dessas assinaturas genéticas poderão revelar padrões hoje desconhecidos a respeito do envelhecimento humano. Também poderão ser úteis para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e tratamento específicas para cada indivíduo.
O artigo Genetic Signatures of Exceptional Longevity in Humans (10.1126/science.1190532), de Paola Sebastiani e outros, pode ser lido por assinantes da Science emwww.sciencemag.org.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Vacinas: mais proteção para os idosos




Os adultos e os idosos devem continuar recebendo doses de vacinas para garantir a proteção contra várias doenças.
- Vacinas essenciais -
* Dupla tipo adulto (difteria e tétano) -Protege o organismo contra a difteria e o tétano, que acometem com freqüência os idosos, devido maior freqüência de ferimentos domésticos e porque a maioria das pessoas que hoje têm mais de 60 anos não foi, na adolescência e na infância, alvo de campanhas de vacinação. É preciso tomar a vacina a cada dez anos. O adulto que nunca tomou a vacina ou não se lembra de seu antecedente vacinal deve receber três doses, com intervalo mínimo de 30 dias entre cada uma. Depois, é preciso tomar uma dose de reforço a cada dez anos. Se a pessoa se ferir e só tiver tomado uma dose ou não se lembrar de quantas tomou, precisará tomar as três doses, além do soro antitetânico.
* Influenza -Também é conhecida como a vacina contra a gripe. O vírus Influenza provoca a gripe que nos idosos pode evoluir com mais facilidade para uma pneumonia. É bom lembrar que a gripe é diferente do resfriado, causado por outros vírus e com sintomas mais fracos. A vacina requer uma dose a cada ano, administrada nas campanhas de vacinação do Ministério da Saúde.
* Influenza A (H1N1) -
Proteção contra doença respiratória aguda (gripe), causada especificamente pelo vírus A (H1N1).
* Contra a Pneumonia -Protege o organismo contra a pneumonia causada pela bactéria pneumococo. Em pessoas com mais de 60 anos, a doença é três vezes mais freqüente, além da mortalidade ser maior, razões pelas quais a vacina se torna importante nessa faixa etária. No sistema público de saúde, ela é destinada principalmente a idosos hospitalizados ou internados em casas geriátricas e asilos. A vacina tem uma única dose, com reforço após cinco anos.
Outras vacinas -
* Hepatite B -
A infecção pelo vírus da hepatite B nos idosos está relacionada a um risco maior de ter cirrose ou câncer de fígado no decorrer dos anos. A vacina contra a hepatite B tem indicação universal, sendo recomendadas três doses - duas com intervalo de um mês e a terceira cinco meses após a segunda dose.
* Febre amarela -Deve ser tomada por todas as pessoas que moram ou viajam para regiões de risco no País, entre as quais Mato Grosso, Pará, Goiás, Amazonas e a região oeste dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. A vacinação deve ser realizada dez dias antes da data marcada para a viagem às regiões de risco. Quem já tomou a vacina, deve se imunizar, novamente, e esperar três dias para iniciar a viagem.

terça-feira, 2 de março de 2010

Tratamento da Febre

Embora a febre seja uma reação imunológica (reação de defesa) do organismo contra algum mal, a medicina moderna desenvolveu alguns remédios chamados de antipiréticos (contra febre) que podem reduzir a temperatura a níveis tolerados. Os mais comuns são o paracetamol e a dipirona.

É importante, além da avaliação médica, promover os seguintes cuidados para uma pessoa idosa com febre:

• melhorar a hidratação do paciente através da oferta de suco de frutas, água e chá morno;
• promover um banho de esponja com água morna (não existe vantagem em usar álcool no banho com esponja e isso geralmente faz a pessoa sentir-se mal pelo seu cheiro forte);
• administrar a dose recomendada de algum antitérmico para reduzir a febre, de acordo com informação médica ou de um profissional de saúde;
• repouso no leito;
• evitar uso de muita roupa ou muitos cobertores;
• evitar exercícios intensos ou pesados.
Por fim, deve-se dar bastante atenção à febre da pessoa idosa, pois diferentemente da criança, o organismo envelhecido apresenta pouca reserva funcional (capacidade de reação) e quanto antes for identificada a causa, melhor será o resultado.


Importante lembrar

1. A febre é uma reação do corpo contra organismos estranhos.
2. A febre é freqüentemente causada por infecções, mas pode ser também uma reação alérgica, exposição a muito sol, a muito calor ou efeito colateral de um remédio.

3. É preciso dar muita atenção à febre da pessoa idosa, porque o seu organismo oferece pouca capacidade de reação e, por isso, a febre pode não aparecer até mesmo em casos graves como pneumonias, infecção do trato urinário ou tuberculose.

4. É importante descobrir logo a causa da febre, para que a pessoa idosa possa receber o tratamento adequado.

5. Dar o remédio antitérmico na dose certa, conforme orientação recebida de profissional da saúde.

6. Proporcionar outros cuidados como repouso no leito, oferecer bastante líquido (suco de frutas, água, chá morno, etc.), banho de esponja com água morna, sem utilizar álcool, evitar muitas roupas ou cobertores.


Importância da febre na pessoa idosa


É preciso prestar muita atenção ao avaliar a febre na pessoa idosa, pois
ela pode estar ausente mesmo em situações de extrema gravidade. De uma
maneira geral, apenas as infecções graves na pessoa idosa se apresentam com
uma elevação substancial da temperatura do corpo. Cerca de 30% das pessoas
idosas na vigência de um processo infeccioso, como pneumonia, infecção uri-
nária, tuberculose ou até um abscesso intra-abdominal, não alteram a tempera-
tura do corpo ou, até mesmo, apresentam hipotermia (temperatura dos tecidos
profundos abaixo de 35oC). Por isso, qualquer elevação de temperatura acima
dos limites normais indica sério sinal de alerta, devendo ser imediatamente
diagnosticada a causa e origem do processo.

A febre pode ser benéfica e é parte da reação do corpo a uma doença;
no entanto, se a temperatura estiver acima de 42oC, então pode causar danos
sérios aos neurônios (células do cérebro), com risco de afetar a meninge,
caracterizando a fase da chamada de hipertermia maligna.
A temperatura do nosso corpo normalmente flutua ao longo do dia, e o
mesmo acontece com a febre (costuma ser mais baixa de manhã e aumentar
à tarde). Se esse padrão característico estiver ausente, a temperatura aumen-
tada do corpo pode ter como causa insolação, que é uma disfunção mais
séria. A insolação é causada pelo excesso de exposição ao sol e é acompa-
nhada de desidratação.



Alterações corporais que podem acompanhar um idoso com febre -

O estado febril não se caracteriza somente pelo aumento da temperatura,
mas também por outras alterações que podem estar também presentes, como:
• nos sistemas circulatório e respiratório – aumento ou redução da fre-
qüência cardíaca, palpitação, aumento da freqüência respiratória,
dificuldade para respirar (respiração pela boca), dor no peito, tosse,
aumento ou queda da pressão arterial;

• no sistema digestivo – boca seca, dor abdominal, náuseas, vômitos, azia,
flatulência (formação de gazes), dificuldade de deglutição (para engo-
lir), incontinência fecal (ver texto sobre Incontinência urinária e fecal);

• na pele e tecido subcutâneo – cianose (cor azulada da pele) , palidez,
eritema (pele avermelhada),

  • no sistema urinário – incontinência urinária ou retenção/dificuldade para urinar, redução do débito urinário ou aumento da freqüência urinária (aumento ou diminuição de urina);
• nos sistemas nervoso e musculoesquelético – tremores, espasmos, alterações de marcha, tontura, confusão mental (agitação psicomotora ou apatia), ansiedade, sonolência, amnésia, alteração da fala, dor de cabeça, falta de apetite.

Maneiras de medir a temperatura corporal -
A febre pode ser medida de diversas maneiras: através da boca, da axila
ou do ânus, utilizando um termômetro. Na pessoa idosa a temperatura axilar
por si só já reflete uma boa medida.
Temperatura corporal de acordo com seu nível
Costuma-se dividir os graus de temperatura corporal de acordo com a
tabela abaixo.

Temperatura axilar do corpo

Normal Entre 36° e 36.9° C
Estado febril Entre 37° e 37.5° C
Febre baixa Entre 37.6° e 38° C
Febre moderada Entre 38.1° e 39° C
Febre alta Acima de 39.1° C




Febre na pessoa idosa -


Febre ou pirexia é a elevação da temperatura do corpo. É conside-
rada uma reação orgânica (reação do corpo) decorrente de várias causas,
principalmente processos infecciosos, cujo significado deve ser avaliado por
médico. A reação descrita como um aumento na temperatura corporal nos
seres humanos para níveis até 37,5 graus centígrados (ou Celsius) chama-se
estado febril. Ao ultrapassar esses níveis já pode ser caracterizado como
febre e é um mecanismo de adaptação própria dos seres vivos. Na prática,
no caso da pessoa idosa, essa divisão entre febre e estado febril não é rigo-
rosamente utilizada.
A pessoa idosa apresenta modificações no seu corpo (fisiológicas e ana-
tômicas) que podem interferir na medição da temperatura, como:
• Sudorese (suor), que é um mecanismo que permite a liberação do
excesso de calor do corpo para regulação da temperatura e que se
encontra prejudicada na pessoa idosa;
• Pele mais fina e que apresenta menor capacidade de retenção de calor,
o que dificulta a manutenção da temperatura corporal em relação à
temperatura ambiente;
• Circulação, cujos vasos respondem com vasodilatação ou vasoconstri-
ção de forma mais lenta, dificultando a adequação à necessidade de
perda ou retenção de calor.

A febre é uma reação do corpo contra organismos estranhos. Apesar
dela ser freqüentemente causada por infecções como, por exemplo, pneu-
monia e infecção do trato urinário, nem sempre ela é indicadora de infecção.
Ela pode também resultar de alguma alergia, calor excessivo (ficar muito
tempo debaixo de sol forte ou mesmo dentro de casa), até mesmo efeito
colateral de drogas.